terça-feira, maio 20, 2014

Nova encruzilhada?

Há dias estou tentando entender o que se passa e o que vai ou pode vir a acontecer comigo e com meu trabalho.Já há tempos venho dizendo,pedindo,reclamando que não estamos trabalhando direito;tento dar sugestões;já até identifiquei e não foi só eu,o ponto crucial que tem atrapalhado nosso caminhar.Nenhum trabalho e principalmente em saúde se dá com sucesso,sem acolhimento adequado.O paciente precisa se sentir acolhido bem para vir até nós e retornar.E aí está o nosso pecado.
Pois bem.Há dias começou a reforma do centro de saúde turu e,coincidentemente,a semus convoca os médicos e enfermeiros para uma reunião avisada em cima da hora,pelo menos pra mim,e à qual compareceram algumas enfermeiras e gestores.A mensagem é:tem que produzir,isso significando mais consultas.Nosso nivel de atendimento está abaixo do crítico,em síntese.Mensagem com direito a referências aos médicos que atendem no programa mais médicos como supertrabalhadores que estão a todo vapor nos atendimentos;e com a ressalva:não são só os cubanos.
Confesso que normalmente meu atendimento não é volumoso.Primeiro porque algumas consultas se tornam mais demoradas pela minha tentativa de suprir a falta de outras atividades de Saúde da Familia que ou temos dificuldade ou simplesmente não fazemos,como visitas,palestras,reunião com grupos,atendimento com outros profissionais de nivel superior,etc,sem contar que sempre tentei ser o mais cuidadosa possível,e sem condições boas ,compensa-se com o diálogo com o paciente.Em segundo lugar porque o acolhimento na marcação de consultas e atendimentos não consegue seguir com qualidade.Resultado:há dias em que atendo várias primeiras consultas que são mais demoradas,fazendo até com que alguns pacientes desistam e outros em que,acredite,atendo duas,três pessoas.
.Agora,com a reforma,estamos divididos em dois locais cedidos ou alugados.Os pacientes marcam e agendam suas consultas na parte do centro de saúde que está funcionando e comparecem até onde estamos;no meu caso até próximo ao local da marcação.Só que desde então,há mais de duas semanas,ainda não consegui atender dez pessoas no total. 
E agora?O que vai acontecer? Vou ser dispensada pela prefeitura,já que sou contratada por processo seletivo que é renovado a cada dois anos?Vai ser admitido no meu lugar um colega do programa mais médicos ganhando quase três vezes mais do que ganho?Como trabalhar "a todo vapor" sem pacientes para atender,sem conseguir fazer nenhuma ou muito pouca atividade,sem água pra beber(tem que levar sua garrafinha),sem banheiro(o banheiro fica no outro prédio),sem ventilação(as salas não tem entrada de ar porque serão preparadas para ter ar condicionado quando a igreja tiver seus cursos e palestras)e bastante calor.Como fazer?O que pensar?
Vou continuar comparecendo ao trabalho,mesmo incomodada com as condições bem adversas,atender os que aparecerem e aguardar os acontecimentos.Mas me restam muitas interrogações.Não foi essa a Saúde da Família que sonhava.

Obs:Esse post não tem nenhum objetivo politiqueiro.

Um comentário:

Kika Rio disse...

É muito triste amiga Anunciação! essa é a realidade da Saúde Pública em todos os estados brasileiros. Vc falou de humanidade com os seus pacientes, esse acolhimento é o que não tem aqui no Rio de Janeiro. Nos tratam como gados. É bastante preocupantes saber que um profissional quer trabalhar, quer fazer o melhor e é impedido por aqueles que deveriam abraçar a causa.lamento!